Primeiras Impressões: XO

28 03 2007

As vezes eu até assusto com as leis de murphy coincidências desse mundo! A exatos 5 dias atrás eu, Gaucho e GG criamos uma pequena lista para registramos uma pequena iniciativa que estávamos planejando faz algum tempo, provavelmente desde que eu escrevi o artigo sobre OLPC Vs Classmate e fomos conversar com uma professora aqui da UFSCar.

Chá de cadeiraEnfim, criamos uma lista para conversarmos sobre dois projetos de softwares para o XO (olpc) ambos nada ambiciosos, softwares relativamente simples e hoje, simplesmente do nada, estávamos conversando no departamento quando GG anuncia, “Vai ter workshop do XO aqui! Vem ver!”. Estava lá o cartaz, Workshop… e adivinha só… Ninguém da universidade sabia da tal oficina, conversando com um dos organizadores, descobrimos que o seria NA FEDERAL porém NÃO para os alunos DA FEDERAL!!! Fato que, na verdade, nos deixou meio irritados.
Se o evento fosse aberto a todos os estudantes teríamos um motivo a mais para os alunos da computação dedicarem algum tempo nesse empreendimento e ajudar no desenvolvendo desse projeto edicacional que o governo pretende adotar. Seria melhor pra todo mundo.

Um pouco de papo, um pouco de choro, um pouco de chá de cadeira chão (na foto acima), conseguimos convencer um dos organizadores a nos deixar participar do evento. Inicialmente ficaríamos sem as maquinetas, mas como hoje era nosso dia de sorte, conseguimos duas máquinas para nós três pessoas e depois, conseguimos uma maquina para cada.

XO fechadoPosso dizer que foi um momento realmente mágico quando recebi o notebook em mãos, não me aguentei, virei criança de novo, e durante meia hora aquele pequeno computadorzinho virou instrumento pra saciar toda a minha curiosidade, virei de todos os lados, apertei todos os botões, abri tudo que podia abrir. De impacto, o mais complicado era abri-lo! Sim sim, isso mesmo, sem instrução nenhuma é realmente muito difícil abri-lo!

XO aberto Depois de uma pequena ajuda, finalmente abrimos o XO. Boot do sistema é relativamente lento, infelizmente não marquei o tempo, até todo o sistema ser inciado perde-se mais ou menos um minuto, talvez um minuto e meio. Do sistema, posso dizer que quem usa as imagens emuladas ou o sugar-jhbuild está muito bem servido, não espere nada de diferente, quando você usar o sistema real você vai se sentir em casa. No quesito software pode-se dizer que a única diferença é poder sentir na pele como a rede Mesh funciona, ver as aplicações compartilhadas e tudo mais.

Quanto ao notebook em si, fiquei empolgadíssimo:
Teclado: Super pequeno, mas não é o fim do mundo, depois de algum tempo, da até pra se acostumar. Os botões de F1 até F12 foram modificados para várias funções do laptop, volume do som, brilho da tela (inclusive para entrar no modo que desliga o backlight do LCD), os “modos de desktop”, as barras.
LCD: Disponíveis para o usuário estão três intensidades de luminosidade e o modo sem backlight que funciona bem quando tem um mínimo de iluminação. A resolução é muito boa, porém tive a impressão que quando o sugar é iniciado, tudo nele é tão grande que a resolução parece pequena.
Câmera: Testei primeiro uma unidade BTest-1que já tem uma câmerazinha, tirei uma foto:

Foto tirada pelo XO

Não é uma maravilha, segundo o Gaucho o BTest-2 teve a câmera melhorada, infelizmente não tirei uma foto com ele pra testar = /

Uma parte bem legal que pude observar, são alguns botões na peça em que o LCD está, um direcional (4 direções e 1 click) e mais quatro botões estilo do playstation (triangulo, bola, xis, quadrado) que dependendo de como você “dobrar” o notebook, deixando-o como um tablet, ele pode virar uma excelente plataforma para jogos.

ServidorX no OLPCAo fim da oficina resolvi abusar um pouco do sistema, iniciei outro servidor X, e o que eu tinha observado da resolução se confirmou, o xterm ficou quase ilegivel quando eu o iniciei, xeyes e o xclock ficaram extramamente pequenos, não vi os valores reais, mas deu pra sentir que a resolução era bem alta para as sete polegadas do LCD. Precisava de mais algumas horas, que não tinha, pra instalar um fluxbox nele e transformar o notebook educacional em Desktop, heehee.

Enfim, o que senti, é o que o projeto está realmente engatinhando, o pessoal da USP e UFSCar estão fazendo trabalhos realmente legais para a área de ensino com esses pequenos, o pessoal está realmente empolgado. Porém, tanto no hardware como o software, falta MUITO a ser feito, vários detalhes, e muita coisa que não funciona direito.

ps. Algumas fotos a mais para ilustrar o tamanho, e mostrar que eu estava realmente lá! hehehehe

XO pequenoXO com xeyesEu + XO

Aham, XO também acessa esse blog! hehehe





Beta2 FlashPlayer9

21 11 2006

O novo beta do FlashPlayer da Adobe está disponível.

Correções dessa versão(9.0.21.78) deixaram o player bem mais estável, não pode-se nem comparar como a versão anterior(9.0.21.33) que navegando por sites muito bem conhecidos o player fazia com que o firefox “quebrasse”. Até agora, testei vários sites (Youtube, googlevideo, terra, uol, last.fm) inclusive alguns que usam web2.0 e flash. Não tive nenhum problema, por enquanto.

Não há praticamente nenhuma característica nova no player, praticamente uma versão de Bug Fix. Entre os problemas conhecidos pode-se citar a falta de compatibilidade com o Opera.

Para os que são mais resistentes a mudanças, vale lembrar que o player novo não precisa mais do esd (esound-esd) para tocar os sons do flash, agora ele usa o Alsa, que possibilita tocar vários vídeos e ao mesmo tempo ouvir todos os vídeos. Além disso, acredito que, por usar o alsa o som está sincronizado com as imagens. Fiz alguns testes de desempenho comparando a versão 7.x com a 9.x, enquanto a primeira sempre usava 80% a 90% do processador, a nova versão ficou entre 30% e 70%.

Portanto que puder trocar , e testar e achar algum problema, mande para a adobe uma mensagem descrevendo o problema ou qualquer característica que deva ser adicionada!

ps. Até o final do ano – Estamos em época de prova! – vou testar o GNash(Player de Flash Open Source) que também teve uma atualização lançada recentemente.

Até!





OLPC Vs Classmate

31 10 2006

Mercado emergente, é sobre isso que estamos falando, entre os dez países mais populosos do mundo, sete são emergentes, ou seja, metade da população mundial, obviamente empresas de computação iniciariam uma batalha para conquistar esse mercado. Eis que Negroponte tem a gênial idéia de criar um notebook com capacidades reduzidas e preço bem abaixo da média, destinado a essas pessoas.

O projeto One Laptop Per Child (OLPC) foi desenvolvido no MIT(Media Lab) e é dirigido por Negroponte, que pode até ter tido a intenção de ajudar na reformulação da educação de crianças carentes, porém convenhamos, AMD deve ter achado no mínimo conveniente embutir seus chips em laptops nos países emergentes, afinal o mercado é gigantesco e praticamente inexplorado. Não ficando para trás, a sua concorrente Intel, patrocinou o desenvolvimento de um modelo semelhante, o Classmate (em português pode ser traduzido como “Amigo de Classe”) ,que deveria ser o concorrente do OLPC.

Antes de qualquer tabela comparativa, gostaria de lembrar que as informações sobre o Classmate são escassas. Acredito que pelo tempo de vida do projeto, e portanto as suas características podem ser modificadas em breve.

  OLPC Classmate
Dimensão 193mm × 229mm × 64mm 245mm x 196mm x 44mm
Chipset AMD CS5536 South Bridge Intel 915GMS + ICH6-M
Processador AMD Geode GX-500@1.0W (366 Mhz) Intel Celeron M (900 MHz)
Memória 128MB DDR RAM – 133MHz 256MB DDR2 RAM
Memória Secundária 512MB SLC NAND Flash 1Gb NAND Flash
Rede / Rede sem fio Nenhum / Marvell 88W8388, 802.11b/g 10/100M Ethernet / WLAN 802.11 b/g w/ Antenna
Monitor LCD 7.5″ Modo TTF e Colorido
(1200×900 & 640×480)
7″ Colorido(800×480)
Touchpad Capacitivo e Resistivo, Suporta modo de escrita Circular com Botões direito e esquerdo
Bateria 5-cell NiMH 6-cell Li-ion
Sistema Operacional Linux Win XPE / Linux
Preço +- US$100 +- US$300

Dimensão

Ambos os projetos apresentam dimensões semelhantes e coerentes. Fiz um teste, peguei um livro qualquer sobre a minha mesa e o medi, suas dimensões foram 170mm x 230mm x 150mm, que tirando a espessura, é bem parecido com as dimensões em ambos os notebooks. Acredito que para um criança que vai à aula, os notebooks não ocuparão tanto espaço assim.

Chipset

Chega até a ser complicado fazer uma análise comparando ambos chipsets. Para inicio de conversa o chipset da AMD trabalha a 66Mhz, já que é apenas o SouthBridge, enquanto o da Intel trabalha a 400Mhz. O primeiro suporta apenas IDE+Flash, 4xUSB 2.0, ACPI 2.0 e audio compatível com AC97, enquanto o segundo suporta SATA, DDR2, tem um HUB USB 2.0, ACPI 2.0 e controladora de vídeo.

O que me faz comparar o NorthBridge e o SouthBridge separadamente. Assim a comparação fica mais justa.

  • Northbridge

Controle de vídeo e memória são as funções básicas de um northbridge. A diferença básica neste item, é o suporte a DDR2 (Intel) e DDR(AMD), porém comparando a frequência de trabalho, ambos são equilentes, já que o chipset da intel trabalha a 400Mhz e o northbridge da AMD trabalha na mesma frequência do processador (400Mhz ou 300Mhz).

  • Southbridge

O southbridge controla basicamente os periféricos (som) e a memória flash que são equivalentes em ambos os casos.

Não achei nada sobre o consumo de energia de ambos os chipsets, vou ficar devendo, talvez isso justifique o OLPC não usar um chipset mais novo.

Processador

Em termos de frequencia a do Celeron-M é superior ao Geode, mas também os processadores da intel sempre tiveram mais estágios em seu pipeline, o que justifica o processador ter maior frequencia. Neste caso vemos somente uma repetição do que sempre ocorreu, a AMD com um processador com freqüência bem inferior, que portanto gastando menos energia e dissipando menos calor, e a Intel com um processador de freqüência bem maior, que esquenta e gasta bem mais energia (sem flames :] ). É importante também lembrar que no projeto OLPC quem cuida da geração de vídeo é o processador, assim como todas as funções do northbridge, e não o chipset, o que pode fazer com que o desempenho médio caia, já que além da freqüência ser baixa, o CPU tem que dividir recursos com as outras funções do northbridge

Memória

De qualquer maneira, neste quesito, o ponto é do Classmate. A memória DDR2 usa uma voltagem de 1.8 V enquanto a DDR usa 2.5V, é sabido então que neste caso o classmate consome menos energia e tem um desempenho superior. A escolha do OLPC de usar DDR, com certeza foi limitada pelo seu chipset.

Memória Secundária

Finalmente algo equiparável. Neste caso, ambas memórias flash são idênticas em desempenho, a desvantagem do OLPC fica na capacidade- 512Mb contra 1Gb. Fico imaginando quanto desses 512Mb seriam utilizados pelo Fedora ou UTUTO quando o Laptop chegar as mãos de uma criança.

Update: Recebi informações recentemente de que o sistema de arquivo usado no OLPC, que é específico para memória flash, e chama-se JFF2. Este sistema de arquivos sempre comprime os dados gravados, o Fedora por exemplo está ocupando cerca de 100Mb. Além disso estima-se que o JFF2 quase dobra o espaço em flash, ou seja, as crianças teriam certa de 800 Mb livre, além do sistema, para gravar seus dados.
Rede / Rede sem Fio

Essa na verdade foi a grande decepção quanto ao OLPC, o projeto não preve conexão via cabo, isto força qualquer instituição de ensino que for usar o OLPC instalar toda uma infraestrutura Wifi, o que pode não ser muito barato no Brasil. Além disso o dispositivo wireless tem firmware fechado, o que fere toda uma ideologia Open Source do projeto. O classmate no entanto mantém o padrão do projeto, conexão e/ou wireless, que provavelmente usa o famigerado chip da intel.

Update: Para resolver este problemade interconexão, a OLPC vai utilizar um esquema de malha, ligando assim, um laptop a outro, logo, todos os notebooks vizinhos estariam ligados uns aos outros via wireless, o que não resolve o problema de conexão a internet. Para isso existe um segundo projeto “sevidor de us$100″ que não teria monitor, mas com a possibilidade de se conectar a internet.

Monitor LCD

Depois da decepção das conexões de rede, o OLPC dá um show em seu projeto de LCD, que apresenta dois modos, um equivalente aos e-books (preto e branco, com funcionamento reflexivo) podendo chegar a resolução de 1200×900 e gasta somente 0.2W! Eu realmente gostaria de ver este modo funcionando, deve ser fantástico. Além do modo TFT existe o modo normal, colorido, que chega até a resolução de 640×480 que lembra os velhos tempos de computação. O Classmate que tem o controlador de vídeo no chipset tem mesmo com um tamanho menor, uma resolução maior na vertical (800×480).

Touch Pad

Enquanto o classmate mantém uma abordagem convecional de um notebook,com touch pad normal de dois botões, o projeto OLPC inova mais uma vez, além de suportar movimentos e cliques dos touch pads normais, este touch também reconheceria escrita do aluno. Só gostaria de saber qual seria o tamanho deste touch, pois não adianta suportar escrita mas ter espaço suficiente para escrever meia palavra. Meu contato com os pockets e palms não foi dos melhores.

Update: Fotos (1, 2, 3, 4) me deixaram satisfeito com o tamanho do touchpad!
Bateria

Como não entendo muito sobre baterias… não vou arriscar uma opinião sobre as características de cada tipo. Arrisco apenas dizer que, mesmo tendo menos células, o tempo de bateria do OLPC deve ser maior, e digo isso por que algumas das partes críticas apresentarem menor consumo de energia (LCD principalmente).

Como informação extra, anexei abaixo um infografo que mostra a porcentagem que cada componente de um sistema gasta. A imagem foi retirada do guia de energia da distribuição Gentoo:

Infografo de Consumo de Energia

Sistema Operacional / Softwares

Pelas informações fornecidas no wiki da OLPC, o projeto adotará a distribuição Fedora como padrão; mas aqui na América Latina, projetos como o UTUTO estão ganhando força e talvez possamos ter uma distribuição regional para o OLPC. Enquanto isso, as informações sobre o classmate não dizem nada, somente que ele pode rodar ambos sistemas operacionais. Rumores dizem que o classmate virá com o Windows XPE.

update: Segundo Mauro Fritz (gerente de negócios da Mandriva) Existe uma versão do Mandriva para o Classmate desenvolvida no Brasil (Obrigado Mauro).

Extra

Além de todos os critérios citados acima, o OLPC tem um projeto de ambiente de aprendizagem chamado SUGAR, que preve toda uma rede de computadores contando com o compartilhamento de arquivos, chats, várias interfaces realmente adaptadas para criaças. Dei uma olhada nos screenshots, parece ser realmente uma evolução a interface de usuários, principalmente em se tratando de criaças.

Conclusão

Quando estou analisando algum produto, geralmente procuro o que apresenta um melhor custo/benefício, e por mais que tente fugir sou levado a comprar um produto com desempenho maior que a média porque, afinal, “para tudo que tem, não está tão caro”. Desta vez tive que me esforçar muito mesmo até chegar a um veredicto. Os dois projetos aqui apresentados não têm a intenção de serem rápidos, bonitos ou diferentes. A função dos projetos é servir como apoio a educação de pessoas carentes, ou seja, são feitos para acessar internet, buscar informações, trocar informações, editar documentos.

Pensando dessa forma, não há como negar que o projeto OLPC é muito melhor adaptado, com certeza seu hardware é inferior, seu chipset é fraco, processador lento, memória é pouca, mas tenho absoluta certeza que um sistema operacional bem configurado dará conta de todos os trabalhos citados acima. Além disso, o possibilidade de usar o notebook para ler livros com uma resulução gigantesca, ter um ambiente especializado, desenvolvido para crianças é genial.

É sabido que sou entusiasta da filosofia opensource, principalmente para projetos como esse. Nada melhor que a ajuda da própria comunidade para manter o que é destinado a quem não pode criar, ou não pode pagar por atualizações. É vital para ambos os projetos, que os softwares a serem utilizados sejam de graça e mais ,que haja transparência no processo de criação, já que boa parte é destinada a pessoas carentes e os governos farão o papel de intermediário. Por isso o uso de software livre (e open source) é tão conveniente.

Sobre o classmate, me sobra dizer apenas que vale mais comprar um notebook da DELL de 500 dolares que como o classmate não tem nenhuma especialização para educação e já tem hardware equiparável a qualquer computador de mesa com menos recursos.

Mais informações:

ps. Obrigado GG pela revisão de português!